A recente movimentação política do prefeito de Boa Vista, Arthur Henrique, revela uma ação calculada e conduzida por alguém com ampla experiência no jogo político. Ao migrar para o Partido Liberal (PL) — legenda em que já se encontra seu vice, Marcelo Zeitoune — Arthur busca promover uma união improvável entre dois campos historicamente antagônicos: a direita bolsonarista e a esquerda.
Essa decisão não parece ter como meta uma candidatura própria ao Senado ou ao Governo do Estado. O verdadeiro objetivo é neutralizar, de forma estratégica, o discurso da direita bolsonarista — representada por Hiram Gonçalves, Mecias de Jesus e Antonio Denárium —, que até então usava o apoio de Bolsonaro como trunfo eleitoral. Com essa mudança, os Bolsonaro’s passam a apoiar a gestão municipal de Boa Vista, com a bênção política de Teresa e Romero Jucá, que tentam consolidar uma aliança inédita entre a base bolsonarista e os eleitores de esquerda. Afinal, vale lembrar: cerca de 60% dos votos de Teresa Surita, Arthur Henrique e Romero Jucá vêm da esquerda.
Mas por que esse eleitorado de esquerda historicamente apoiou esse grupo? A resposta é simples: a Prefeitura de Boa Vista sempre administrou, em parceria com o governo federal, os principais programas sociais, além de concentrar uma expressiva quantidade de obras financiadas por recursos da União. Em outras palavras, grande parte dos investimentos na capital tem origem no governo Lula.
E é justamente aí que está o ponto mais delicado da estratégia. Se quase tudo vem do governo federal, será que os eleitores de esquerda aceitarão apoiar um projeto político abertamente ligado ao bolsonarismo? A meu ver, isso parece improvável. Ao tentar unir polos tão opostos, o grupo político de Arthur corre o risco de desagradar uma base que sempre foi fundamental para sua sustentação eleitoral. Essa guinada pode acabar trazendo mais perdas do que ganhos.
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