segunda-feira, 23 de março de 2026

PARAQUEDISTA: A HISTÓRIA E O RETORNO DO TERMO NA POLÍTICA DE RORAIMA

 A partir da chegada de Ottomar Pinto para governar o Território Federal de Roraima (1979–1983), iniciou‑se um processo acelerado de povoamento, com a chegada de pessoas de várias regiões do país — sobretudo do Nordeste. Com a eleição direta de 1990, ganhou força na política local a expressão “paraquedista”, agora aplicada a candidatos que vinham de fora apenas para disputar mandatos eletivos.

O que eram os “paraquedistas”

Originalmente usado para descrever militares paraquedistas (PQD’s), o termo passou a identificar, nos anos 1990, políticos sem vínculos reais com Roraima que se registravam no estado para concorrer a cargos como deputado federal e senador. A crítica local baseava‑se na ideia de que representantes deveriam ter laços efetivos com a comunidade que representavam.

Exemplos e consolidação do fenômeno

Em 1990 surgiram candidaturas de figuras como João Lira, Moisés Lipnik e outros; para a Câmara apareceram nomes como Mário Melo, Teresa Surita e Chico Rodrigues. Com o tempo, muitos desses “paraquedistas” foram eleitos e passaram a ocupar cargos em diferentes esferas — municipais, estaduais e federais.

Casos recentes e o retorno do termo

Nos anos recentes, a presença de políticos naturais de outros estados continuou: senadores e governantes com origem fora de Roraima exemplificam essa realidade. Em 2024, Marcelo Zeitune, com breve passagem militar por Roraima, assumiu como vice de Arthur Henrique — fato que passou despercebido por muitos. Em 2026, um deputado duas vezes eleito no Rio de Janeiro transferiu seu domicílio eleitoral para Roraima para disputar o Senado pelo PL, partido de Arthur Henrique e Zeitune.

Implicações políticas

Movimentos como a possível renúncia de Arthur Henrique para disputar governo ou Senado, deixando a prefeitura e um orçamento previsto de cerca de R$ 2,5 bilhões sob o comando de seu vice, mostram as estratégias eleitorais em jogo e reacendem o debate sobre legitimidade, vínculos locais e interesses partidários.

Conclusão

O fenômeno dos “paraquedistas” em Roraima revela um conflito persistente: pesa mais a origem e o vínculo com o estado, ou a capacidade eleitoral e as alianças políticas? A discussão permanece atual e deve influenciar o eleitorado nas próximas disputas.

P.S. Os políticos roraimenses cometeram um erro capital na hora de passar o bastão. Passaram o astão para um daqueles que eles chamavam de "paraquedista" e hoje eles sequer tem o comando de um único partido político.

Atualmente somente três roraimenses tem o comando de siglas partidárias: Rudson Leite - PV, Lenir Rodrigues - CIDADANIA, Yoni Pedroso - SD e Daniel Trindade - PRD.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

A POLÊMICA: DIREITA X HAVAIANA/FERNANDA TORRES

 

Aproveitando a polêmica gerada a partir de um comercial das Havaianas, a atriz, escritora, roteirista e cronista Fernanda Torres passou a sofrer severas críticas de políticos e apoiadores da direita, sobretudo dos mais radicais.

Pensando nisso, fui tomado por uma lembrança dos tempos em que meus filhos eram adolescentes. O que vou relatar, tenho certeza, aconteceu — ou ainda acontece — com a esmagadora maioria das famílias brasileiras.

Meus filhos tinham amigos da mesma idade, todos calçando números parecidos: 41, 42… e quase todas as sandálias eram a famosa Havaiana.
Quando resolviam se reunir lá em casa, era uma festa: violão, música, cantoria, risadas e muitas aprontações. Até que chegava a hora de a diversão ganhar a rua — a praça do Mirandinha ou a da Amoca.

Na hora da saída, algo curioso sempre acontecia: a minha sandália Havaiana desaparecia.
Adotei então uma estratégia que, no fim das contas, não deu muito certo.

Passei a ir à loja e pedir, deliberadamente, a sandália que eu considerava mais “ridícula”. Era assim mesmo o pedido: Bob Esponja, Snoopy, Mickey… quanto mais chamativa, melhor.
O problema é que isso só piorava a situação. Eles adoravam! E lá ia eu comprar mais e mais sandálias Havaianas.

Já quebrado de tanto gastar com sandálias, resolvi mudar de tática: comprei uma sandália de couro cru trançado, estilo franciscano. Aquela, sim, ninguém quis. Tive, ainda que por pouco tempo, um sossego merecido.

Até que, num belo dia, surge o Ícaro Leite, todo fantasiado de árabe, praticamente pronto para uma festa no Iate Clube. Olhou pra mim e soltou, sem cerimônia:
Pai, cadê sua sandália de Jesus Cristo? Me empresta?

Foi o fim.
Nunca mais vi aquela sandália.

sábado, 6 de dezembro de 2025

A ESCOLHA CERTA OU UM TIRO NO PÉ?

 A direita vinha aguardando o comando de seu líder, Jair Bolsonaro, em meio a inúmeras especulações. Circulavam os nomes do próprio Bolsonaro e, em sua impossibilidade jurídica, surgiam como alternativas Tarcísio de Freitas (SP), Romeu Zema (MG), Ronaldo Caiado (GO), Michelle Bolsonaro, além dos filhos Eduardo e Flávio Bolsonaro.

Ontem, 05/12, o suspense acabou. O anúncio veio do próprio escolhido: Flávio Bolsonaro, o filho “número um”. Ele será o pré-candidato a presidente indicado pelo pai.

Na prática, aconteceu exatamente o que eu já havia comentado em um post anterior: Bolsonaro escolheria um de seus filhos, ganhando ou perdendo a eleição. A estratégia é simples e clara — manter seu eleitorado fiel preso a ele, Jair Bolsonaro, mesmo estando condenado e preso. Na cabeça do ex-presidente, sua aposta é que até 2030 recuperará seus direitos políticos e poderá voltar como candidato, preservando seu capital político por meio da candidatura de Flávio.

O problema é que parece que ele esqueceu de combinar com três atores fundamentais: os eleitores, o mercado e o próprio grupo político, que não recebeu bem a escolha.

A reação foi imediata. Assim que o nome de Flávio foi confirmado, a Bolsa de Valores despencou 7 mil pontos, um recado claro de que essa não era a candidatura preferida pelo mercado, que via em Tarcísio de Freitas um nome mais confiável.

O fato é que a direita, que já enfrentava dificuldades para encontrar rumo e unidade, agora terá um trabalho ainda maior: juntar os cacos.

Enquanto isso, as pesquisas divulgadas até agora mostram Lula 15 pontos à frente de Flávio Bolsonaro, o que representa aproximadamente 18 milhões de votos de vantagem. Se a eleição fosse hoje, Lula venceria ainda no primeiro turno.

domingo, 16 de novembro de 2025

NO MUNDO DIGITAL, A FÉ PERDE OU GANHA ESPAÇO?

Eu venho de um tempo em que ir à igreja não era escolha — era parte da vida.

Fiz primeira comunhão no Uiramutã, cresci na igreja Batista Regular de Boa Vista, aprendi Bíblia na escola dominical, respeito com os mais velhos e o valor de tomar a bênção.

Crescemos enquanto o mundo mudava: do telex ao celular, do silêncio ao barulho infinito da internet.
Hoje, a fé compete com a informação na palma da mão.
E muitos jovens já não encontram na igreja o que antes encontrávamos: direção, abraço, sentido.

Enquanto isso, padres e pastores se perdem em disputas políticas, viram bandeiras, viram lados.
E quando a fé vira palanque, o amor vira distância — e os irmãos viram inimigos.

Está na hora de acordar.
A igreja precisa voltar a ser ponte, e não muro.
Precisa voltar a ser evangelho, e não ideologia.
Precisa voltar a ser casa de paz, e não arena de guerra.

Porque, no fim, a tecnologia pode mudar tudo —
mas não pode mudar aquilo que só o coração entende:
a fé que acolhe, cura e une.

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

SEGURANÇA PÚBLICA: ESPECIALISTAS E SOCIEDADE DEFENDEM MODELOS DISTINTOS PARA O FUTURO DO BRASIL

 A discussão sobre o modelo ideal de segurança pública no Brasil voltou ao centro do debate no Congresso Nacional. Em análise está uma proposta relatada pelo deputado federal e ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite (PP/SP), que divide opiniões tanto no governo federal quanto na oposição.

A Constituição Federal de 1988, no artigo 144, define que a segurança pública é dever do Estado, exercido por meio de instituições como a Polícia Federal, Polícias Civis e Militares, Polícias Penais e Corpos de Bombeiros Militares. Ao mesmo tempo, estabelece que a segurança é também responsabilidade de todos os cidadãos, dependendo da colaboração social para ser eficaz.

Pela legislação, os municípios também podem atuar por meio das Guardas Municipais, que têm entre suas atribuições a proteção de bens e serviços e, em alguns casos, ações de preservação da ordem pública.

O governo federal defende que o combate ao crime organizado deve priorizar inteligência policial e políticas públicas nas áreas de educação, saúde e inclusão social. Já setores da direita defendem uma atuação mais rígida, com maior uso da força e enfrentamento direto ao crime — posição reforçada após recentes operações no Rio de Janeiro. Alguns parlamentares apontam ainda o modelo de El Salvador como referência.

Especialistas avaliam que nenhum dos modelos terá eficácia plena sem participação popular. Para muitos analistas, a criação de uma relação de confiança e cooperação entre a sociedade e os órgãos de segurança é indispensável. Sem isso, afirmam, reformas legais, equipamentos modernos e aumento de efetivo podem não surtir o efeito esperado.

terça-feira, 11 de novembro de 2025

PEDIDOS DE VISTA E O JOGO POLÍTICO POR TRÁS DA DEMORA

Por Rudson Leite

Presidente do Partido Verde em Roraima

O já esperado pedido de vista por parte do ministro Kássio Nunes Marques se concretizou. O que antes era apenas um rumor nas rodas políticas de Roraima tornou-se realidade, confirmando o que muitos analistas já previam: a continuidade da novela jurídica que envolve o mandato do governador Antonio Denárium (PP).

Com o pedido de vista, o julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ficará suspenso por 30 dias, prazo que ainda pode ser prorrogado por mais 30. E como tem sido comum em casos de grande repercussão política, outro ministro poderá fazer novo pedido de vista quando o processo retornar à pauta. O resultado? A perpetuação da incerteza e o desgaste da imagem da própria Corte, que passa a ser vista por parte da sociedade como lenta e politicamente seletiva.

Esse novo adiamento ocorre em meio a outros casos semelhantes, como o do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL) — ambos integrantes do chamado Centrão. A coincidência faz surgir uma pergunta inevitável:
O TSE será firme e coerente ao julgar ambos os casos, ou penderá para o peso político de cada um?

A população de Roraima e do Rio de Janeiro — e, por que não dizer, de todo o Brasil — aguarda uma resposta clara. O que o povo espera é celeridade, isenção e coerência nas decisões. A demora e os sucessivos pedidos de vista alimentam a insegurança jurídica, um mal que corrói a credibilidade das instituições e gera instabilidade política.

Se o pedido de vista atual for devolvido dentro do prazo inicial de 30 dias, é provável que uma eleição suplementar em Roraima só ocorra a partir de março de 2026. E em 4 de abril, o governador Denárium terá de se descompatibilizar do cargo para disputar uma vaga no Senado.

O problema é que, sem julgamento definitivo, ele permanecerá inelegível, com o registro de candidatura sujeito à impugnação. Mesmo assim, poderá recorrer e disputar a eleição sub judice, o que ampliará o volume de demandas na Justiça Eleitoral — justamente essa Justiça que parece não ter pressa em julgar.

Enquanto isso, o tempo corre, a incerteza aumenta e a confiança da população nas instituições democráticas vai se esvaindo. É hora de o TSE compreender que justiça tardia é injustiça política, e que decisões adiadas também moldam o destino de um estado e de sua gente.

CASSAÇÃO DE DENÁRIUM PODERÁ ACONTECER OU HAVERÁ NOVO PEDIDO DE VISTAS?

Amanhã, dia 11/11/25, a partir das 19:00 ocorrerá a retomada do julgamento da chapa Antônio Denárium e Edilson Damião, governador e vice-governador respectivamente.
Ocorrendo a cassação, o que poderá acontecer? A dupla poderá recorrer contra a cassação? A resposta é não. Se o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassar o mandato do governador de Roraima, não caberá mais recurso ao próprio TSE.
Entenda por que:
O TSE é a instância máxima da Justiça Eleitoral. Isso significa que suas decisões são definitivas em matéria eleitoral, salvo quando há alguma ofensa direta à Constituição Federal — e, nesse caso, a parte prejudicada pode recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Assim, as possibilidades são:
1. Embargos de declaração ao próprio TSE –
Podem ser apresentados em até 3 dias após a publicação do acórdão, apenas para esclarecer omissões, contradições ou obscuridades na decisão.
Eles não mudam o mérito do julgamento, servem mais como correção formal.
2. Recurso extraordinário ao STF –
Cabível somente se a defesa entender que a decisão do TSE violou a Constituição Federal (por exemplo, direito ao devido processo legal, ampla defesa, etc.).
Esse recurso não reexamina provas ou fatos, apenas questões constitucionais.
O que pode acontecer na prática:
• Se o TSE confirmar a cassação, o presidente da Assembleia Legislativa assume interinamente.
• Enquanto isso, o STF pode analisar um eventual recurso extraordinário, mas ele não suspende automaticamente os efeitos da decisão.