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| Rudson Leite - Adm |
À primeira vista, a cifra
impressiona. No entanto, uma análise técnica e fria dos números mostra que a
realidade do caixa do estado é bem diferente daquela que o cidadão comum
imagina ao assistir ao vídeo.
Onde está esse dinheiro?
Desmistificando os R$ 10 bilhões
O grande problema da fala do
ex-governador é a falta de distinção entre o montante bruto global e a disponibilidade
financeira real para o custeio do estado. O valor mencionado está dividido
da seguinte forma:
- R$ 8,27 bilhões (Fundo de Previdência):
Este dinheiro pertence exclusivamente aos servidores aposentados e àqueles
que ainda vão se aposentar. Trata-se de uma verba carimbada e blindada por
lei; o governo não pode tocar nela para pagar fornecedores, obras ou
despesas correntes.
- Mais de R$ 2 bilhões (Caixa
Descentralizado): Este valor engloba a arrecadação
própria, convênios com o governo federal e empréstimos bancários
vinculados a projetos específicos de todas as secretarias.
A conta não fecha: O peso do
orçamento mensal
Dizer que o atual governador
tem R$ 10 bilhões à disposição para gerir o estado é uma ilusão. Para entender
o tamanho do desafio fiscal de Roraima, basta olhar para o orçamento aprovado
pela Assembleia Legislativa para o exercício de 2026:
- Orçamento Anual:
R$ 9,92 bilhões
- Custo Mensal Estimado:
Cerca de R$ 826,6 milhões
Mesmo se os R$ 2 bilhões das
contas das secretarias estivessem totalmente livres para uso — o que não estão,
por conta dos repasses vinculados —, esse montante seria suficiente para cobrir
pouco mais de dois meses de despesas do estado.
A realidade do caixa livre: R$
54 milhões
O cenário ganha contornos mais
dramáticos quando analisamos a transmissão final do cargo. O governador
interino, Soldado Sampaio — que assumiu o comando do estado após o período de
34 dias em que o vice-governador Edilson Damião Lima esteve no poder —, revelou
uma realidade dura: ao assumir, a conta corrente de livre movimentação do
Governo do Estado de Roraima (GER) contava com apenas R$ 54 milhões.
Para um estado que gasta mais
de R$ 800 milhões por mês, um saldo de R$ 54 milhões em conta corrente acende o
sinal de alerta para a governabilidade e para a manutenção dos serviços
públicos essenciais.
O histórico de socorros
federais
A fragilidade das contas de
Roraima não é novidade. Vale lembrar que, no final de 2018, quando o próprio
Antônio Denarium assumiu o Executivo logo após o decreto de intervenção
federal, a União precisou injetar R$ 225 milhões emergenciais nos cofres
públicos apenas para sanear as contas, quitar salários atrasados e evitar o
colapso da segurança e da saúde.
Conclusão
Na
política, a forma como os números são apresentados pode criar realidades
paralelas. Anunciar que deixou R$ 10 bilhões em caixa sem explicar que a maior
parte desse dinheiro pertence à previdência dos servidores induz o público ao
erro. A transparência na gestão fiscal é o único caminho para que a população
compreenda a verdadeira saúde financeira do nosso estado.


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