O Programa Social que Ajudei a Idealizar em Roraima
Por Rudson Leite
Os programas de transferência de renda fazem parte da história política e social de Roraima há mais de duas décadas. Pouca gente sabe, porém, que a ideia que deu origem ao atual programa social do Estado surgiu em 2002, a partir de uma proposta que apresentei ao então governador Flamarion Portela.
Como Tudo Começou
No dia 9 de abril de 2002, poucos dias após assumir o Governo de Roraima em razão da renúncia de Neudo Ribeiro Campos para disputar o Senado Federal, Flamarion Portela concedeu entrevista ao programa Forró Forrado, apresentado por Renan Beckel, na Rádio Tropical FM.
Durante a entrevista, o governador pediu sugestões de projetos que pudessem ser implantados em sua administração. Ao ouvir seu apelo, apresentei um projeto que eu já havia elaborado há algum tempo.
Naquela época, a assistência social era realizada por meio da distribuição de pequenas cestas básicas no Palácio 31 de Março, atual Palácio Senador Hélio Campos. Os produtos eram limitados, de qualidade discutível e nem sempre atendiam às necessidades reais das famílias.
Minha proposta era substituir esse modelo por um sistema mais moderno e eficiente: a entrega de cartões magnéticos para que os beneficiários pudessem escolher os produtos de que realmente precisavam, respeitando suas prioridades e necessidades. A única restrição seria a compra de bebidas alcoólicas e cigarros.
O Nascimento do Vale Alimentação
Menos de um mês depois, em 2 de maio de 2002, o Governo do Estado instituiu, por meio do Decreto nº 4.735-E, o programa Vale Alimentação.
O benefício era de R$ 30,00 e atendia mais de 42 mil pessoas em todo o Estado, sendo cerca de 25.857 na capital e 17 mil no interior.
A iniciativa representou uma mudança significativa na política de assistência social de Roraima, ao permitir que as famílias tivessem mais autonomia sobre suas compras e necessidades básicas.
As Mudanças ao Longo dos Anos
Com o passar do tempo, o programa sofreu diversas alterações e mudanças de nome.
Após a cassação de Flamarion Portela, o governador Ottomar de Souza Pinto assumiu o governo e rebatizou o benefício como Vale Solidário.
Posteriormente, durante a gestão de José de Anchieta, o programa passou a se chamar Crédito Social, com a distribuição do benefício em dinheiro.
Na administração de Suely Campos, o programa foi inicialmente suspenso para revisão cadastral e depois retomado.
Atualmente, o benefício é conhecido como Cesta da Família e atende aproximadamente 50 mil famílias em todo o Estado.
Uma Reflexão Necessária
Sempre acreditei que programas sociais são fundamentais para amparar famílias em situação de vulnerabilidade. Foi exatamente esse o objetivo que inspirou a proposta que apresentei em 2002.
No entanto, também acredito que o sucesso de um programa social não deve ser medido pelo aumento constante do número de beneficiários, mas pela sua capacidade de reduzir a dependência das famílias em relação ao auxílio governamental.
Quando mais pessoas conseguem emprego, renda e independência financeira, significa que a economia está funcionando e que as políticas públicas estão produzindo resultados duradouros.
Programas sociais devem ser uma ponte para a dignidade e a autonomia, e não um destino permanente. O verdadeiro desenvolvimento acontece quando as filas diminuem porque as oportunidades aumentam.
Passados mais de vinte anos, continuo acreditando que esse deve ser o principal objetivo de qualquer política pública de transferência de renda: ajudar as pessoas a superar dificuldades temporárias e construir um futuro melhor por meio do trabalho, da geração de renda e do crescimento econômico.




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