A eleição suplementar de 21 de junho passou, mas o debate parece longe do fim.
Alimentada diariamente por cabos eleitorais, a discussão ainda ecoa nos bastidores.
Enquanto alguns grupos já
aceitaram o resultado das urnas e dos tribunais, o foco agora se volta para o
dia 20 de julho, data que marca o início das convenções partidárias para
as eleições de outubro.
Quem está dentro e quem está fora
do jogo? Vamos analisar o cenário atual.
Quem Fica de Fora? As Regras
do Jogo
Para registrar qualquer
candidatura, o cidadão precisa cumprir requisitos básicos até as datas do
calendário eleitoral. Com base nisso, duas figuras de peso enfrentam barreiras
jurídicas instransponíveis:
- Antônio Denarium: Não cumpre o requisito de
pleno exercício dos direitos políticos. O ex-governador segue inelegível
após condenações por crimes eleitorais.
- Edilson Damião: Está impedido de concorrer.
Como sua cassação oficial ocorreu em 30 de abril de 2026, ele esteve no
exercício do poder dentro dos seis meses anteriores ao pleito de outubro,
violando os prazos legais de desincompatibilização.
O Fenômeno Arthur Henrique:
Candidato ou Moeda de Troca?
Mesmo impugnado na eleição
suplementar, Arthur Henrique insistiu na disputa e colheu impressionantes 60,87%
dos votos. Esse resultado o credencia com força para outubro, mas a sua
candidatura ao Governo ainda é incerta.
Por ter deixado a prefeitura pela
metade para concorrer, analistas apontam que ele pode ter sido mal orientado.
Agora, o seu futuro depende diretamente de um tabuleiro maior.
O Dilema do PL: O Foco na
Bancada Federal
O Partido Liberal (PL) vive uma
situação confortável para a Assembleia Legislativa, com uma nominata forte de
deputados estaduais. O verdadeiro problema está na bancada federal, que define
o bilionário fundo partidário e o tempo de TV da sigla.
- O risco: Se nomes como Nicoletti e Hélio
Negão pulverizarem votos em candidaturas majoritárias ao Senado, o PL
corre o risco de não eleger nenhum deputado federal em Roraima — um
contrassenso para um dos estados mais bolsonaristas do país.
- A provável solução: A executiva nacional e a
família Bolsonaro devem intervir. O desenho mais provável é atrair Arthur
Henrique para disputar o Senado, tendo Hélio Negão como primeiro suplente.
Isso abriria caminho para Arthur tentar o Governo do Estado apenas em
2030, deixando o mandato no meio do caminho para o aliado carioca.
Governador Sampaio e a Força
da Máquina
Do outro lado, o Governador
Sampaio confirmou que irá buscar a reeleição. Apesar dos índices de rejeição
medidos na eleição suplementar, ele entra na disputa com o peso e a estrutura
da máquina pública do Governo do Estado (GER) a seu favor.
O grupo governista aposta na
estrutura para preencher o vácuo de nomes fortes da oposição que seguem
barrados pela Justiça.
A Esquerda Se Divide
Diferente de pleitos anteriores
onde buscou a unidade, a esquerda em Roraima vai para o tudo ou nada de forma
fragmentada. O campo progressista lançará duas candidaturas distintas ao
Palácio Senador Hélio Campos: uma do PSOL e outra da Federação Brasil
Esperança (PT/PCdoB/PV).
As convenções partidárias vão até
o dia 5 de agosto. Até lá, cada partido tentará fechar suas feridas e ajustar
suas chapas.
Acompanhe as próximas atualizações aqui no blog para não perder nenhum lance desse xadrez político!




