terça-feira, 11 de novembro de 2025

PEDIDOS DE VISTA E O JOGO POLÍTICO POR TRÁS DA DEMORA

Por Rudson Leite

Presidente do Partido Verde em Roraima

O já esperado pedido de vista por parte do ministro Kássio Nunes Marques se concretizou. O que antes era apenas um rumor nas rodas políticas de Roraima tornou-se realidade, confirmando o que muitos analistas já previam: a continuidade da novela jurídica que envolve o mandato do governador Antonio Denárium (PP).

Com o pedido de vista, o julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ficará suspenso por 30 dias, prazo que ainda pode ser prorrogado por mais 30. E como tem sido comum em casos de grande repercussão política, outro ministro poderá fazer novo pedido de vista quando o processo retornar à pauta. O resultado? A perpetuação da incerteza e o desgaste da imagem da própria Corte, que passa a ser vista por parte da sociedade como lenta e politicamente seletiva.

Esse novo adiamento ocorre em meio a outros casos semelhantes, como o do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL) — ambos integrantes do chamado Centrão. A coincidência faz surgir uma pergunta inevitável:
O TSE será firme e coerente ao julgar ambos os casos, ou penderá para o peso político de cada um?

A população de Roraima e do Rio de Janeiro — e, por que não dizer, de todo o Brasil — aguarda uma resposta clara. O que o povo espera é celeridade, isenção e coerência nas decisões. A demora e os sucessivos pedidos de vista alimentam a insegurança jurídica, um mal que corrói a credibilidade das instituições e gera instabilidade política.

Se o pedido de vista atual for devolvido dentro do prazo inicial de 30 dias, é provável que uma eleição suplementar em Roraima só ocorra a partir de março de 2026. E em 4 de abril, o governador Denárium terá de se descompatibilizar do cargo para disputar uma vaga no Senado.

O problema é que, sem julgamento definitivo, ele permanecerá inelegível, com o registro de candidatura sujeito à impugnação. Mesmo assim, poderá recorrer e disputar a eleição sub judice, o que ampliará o volume de demandas na Justiça Eleitoral — justamente essa Justiça que parece não ter pressa em julgar.

Enquanto isso, o tempo corre, a incerteza aumenta e a confiança da população nas instituições democráticas vai se esvaindo. É hora de o TSE compreender que justiça tardia é injustiça política, e que decisões adiadas também moldam o destino de um estado e de sua gente.

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