Aproveitando a polêmica gerada a partir de um comercial das Havaianas, a atriz, escritora, roteirista e cronista Fernanda Torres passou a sofrer severas críticas de políticos e apoiadores da direita, sobretudo dos mais radicais.
Pensando nisso, fui tomado por
uma lembrança dos tempos em que meus filhos eram adolescentes. O que vou
relatar, tenho certeza, aconteceu — ou ainda acontece — com a esmagadora
maioria das famílias brasileiras.
Meus filhos tinham amigos da
mesma idade, todos calçando números parecidos: 41, 42… e quase todas as
sandálias eram a famosa Havaiana.
Quando resolviam se reunir lá em casa, era uma festa: violão, música, cantoria,
risadas e muitas aprontações. Até que chegava a hora de a diversão ganhar a rua
— a praça do Mirandinha ou a da Amoca.
Na hora da saída, algo curioso
sempre acontecia: a minha sandália Havaiana desaparecia.
Adotei então uma estratégia que, no fim das contas, não deu muito certo.
Passei a ir à loja e pedir,
deliberadamente, a sandália que eu considerava mais “ridícula”. Era assim mesmo
o pedido: Bob Esponja, Snoopy, Mickey… quanto mais chamativa, melhor.
O problema é que isso só piorava a situação. Eles adoravam! E lá ia eu comprar
mais e mais sandálias Havaianas.
Já quebrado de tanto gastar com
sandálias, resolvi mudar de tática: comprei uma sandália de couro cru trançado,
estilo franciscano. Aquela, sim, ninguém quis. Tive, ainda que por pouco tempo,
um sossego merecido.
Até que, num belo dia, surge o
Ícaro Leite, todo fantasiado de árabe, praticamente pronto para uma festa no
Iate Clube. Olhou pra mim e soltou, sem cerimônia:
— Pai, cadê sua sandália de Jesus Cristo? Me empresta?
Foi o fim.
Nunca mais vi aquela sandália.

2 comentários:
Vixe, já não tinha nenhuma moral c os filhos, imagina com os amigos dos filhos! 😅😅😅
Ei, esse anônimo aí sou eu, pq não tinha feito login rsrs
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