quarta-feira, 8 de abril de 2026

JULGAMENTO TRAVADO NO TSE LEVANTA DÚVIDAS E PRESSIONA CÚPULA DO JUDICIÁRIO

Pedido de vista, demora e reação interna expõem tensão em processo que pode abalar a política de Roraima

O processo no Tribunal Superior Eleitoral que pode levar à cassação do governador Edilson Damião e à inelegibilidade do ex-governador Antonio Denarium escancarou, mais uma vez, um problema recorrente no Judiciário brasileiro: a demora seletiva.

O pedido de vista feito pelo ministro Nunes Marques, instrumento legítimo dentro do rito processual, acabou ultrapassando os limites do razoável — e, pior, colocando em xeque o cumprimento do próprio regimento interno da Corte.

A regra é clara: o prazo é de 30 dias, com possibilidade de prorrogação justificada. Após isso, o processo deve ser automaticamente liberado para julgamento. Simples assim. Mas, na prática, não foi o que aconteceu.

Quando a regra só vale no papel

O atraso na devolução do processo levantou um questionamento inevitável: até que ponto normas internas são efetivamente respeitadas dentro dos tribunais superiores?

A cobrança feita pelo ministro Gilmar Mendes não foi apenas um gesto protocolar — foi um recado direto de que o funcionamento da Corte não pode ficar à mercê de decisões individuais que retardam julgamentos de alto impacto político.

Após a pressão, o processo foi finalmente liberado por Nunes Marques. Coincidência ou não, o movimento só ocorreu depois da exposição interna.

A bola agora está com Cármen Lúcia

Com o processo liberado, a responsabilidade passa para a presidente do TSE, Cármen Lúcia, que terá que decidir quando pautar o julgamento.

Mais do que uma decisão administrativa, trata-se de um teste institucional: dar celeridade ao caso ou permitir que ele continue sendo empurrado, alimentando ainda mais desconfiança.

O impacto vai além do jurídico

Não se trata apenas de um processo judicial. O que está em jogo é a estabilidade política de Roraima.

Uma eventual cassação pode redesenhar completamente o cenário estadual, afetando alianças, projetos eleitorais e o equilíbrio de forças para 2026.

Por isso, a demora não é neutra. Ela produz efeitos políticos concretos — favorecendo uns, prejudicando outros e, sobretudo, alimentando a sensação de insegurança jurídica.

O que a sociedade espera

O mínimo que se espera de uma Corte como o TSE é previsibilidade, respeito às próprias regras e decisões dentro de prazos razoáveis.

Quando isso não acontece, abre-se espaço para questionamentos — legítimos — sobre a condução dos processos.

Agora, com o caso liberado, resta saber: o julgamento finalmente vai andar ou continuará refém do tempo e das conveniências?

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