domingo, 5 de abril de 2026

XADREZ POLÍTICO EM RORAIMA: MOVIMENTOS QUE DESENHAM 2026 PENSANDO EM 2030

Os bastidores da política roraimense nos últimos dias revelaram muito mais do que simples filiações partidárias. O que ocorreu entre 03 e 04 de abril — datas finais da janela partidária e do prazo de filiação para quem pretende disputar as eleições de 2026 — foi, na prática, o início de um redesenho estratégico de poder que pode impactar não apenas o próximo pleito, mas também o cenário de 2030.

A primeira grande surpresa foi a filiação de Gerlane Baccarin ao Partido Liberal, com direito a anúncio feito pelo senador Flávio Bolsonaro. O movimento, à primeira vista, pode parecer apenas mais uma articulação partidária. Mas não é.

Gerlane é esposa do senador Hiram Gonçalves, que preside o Partido Progressista no estado. Ou seja, sua ida para o PL não é casual — é estratégica. O objetivo, ao que tudo indica, é posicioná-la desde já em uma sigla com forte apelo eleitoral, preparando o terreno para voos mais altos no futuro.

E esse futuro tem data: 2030. Quando estará em jogo justamente a vaga hoje ocupada por Hiram no Senado. Até lá, o caminho natural pode ser a construção de Gerlane como vice-governadora em uma chapa competitiva em 2026.

Mas essa movimentação levanta uma dúvida inevitável: qual será o papel do PL em Roraima nesse processo?

O partido é presidido no estado pelo ex-prefeito Arthur Henrique, que desponta como uma das principais lideranças emergentes. Terá o PL candidatura própria ao governo? Ou fará composição?

E mais: como fica a relação de Arthur com sua mentora política, Teresa Surita, atualmente pré-candidata ao Senado?

Uma possível resposta passa por outro nome forte do cenário: Edilson Damião. Caso uma chapa liderada por ele — dentro da federação entre União Brasil e PP — não contemple Gerlane como vice, abre-se espaço para uma alternativa: uma composição liderada por Arthur Henrique, com Gerlane ocupando a vaga de vice-governadora.

Como se não bastasse, uma segunda movimentação sacudiu ainda mais o tabuleiro: a filiação do ex-governador Antonio Denarium ao Republicanos, assumindo inclusive o comando da sigla no estado. O detalhe mais sensível? A mudança ocorreu sem aviso prévio ao PP, partido ao qual esteve vinculado por anos.

Denarium já se coloca como pré-candidato ao Senado, o que adiciona mais uma peça de peso na disputa.

No entanto, há um fator que pode mudar completamente o rumo dessa história: o julgamento que pode cassar o atual governador Edilson Damião e tornar Denarium inelegível. Se isso acontecer, quem assume o governo do estado será o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Sampaio.

E é justamente aí que o jogo pode virar.

Assumindo o governo, a tendência natural é que Sampaio se torne candidato tanto na eleição suplementar quanto na eleição ordinária de 2026. Isso reorganizaria completamente as forças políticas.

De um lado, um possível candidato à reeleição com a máquina na mão. Do outro, uma oposição que precisará se redefinir rapidamente.

Nesse cenário, Arthur Henrique pode optar por uma mudança estratégica: ao invés de disputar o governo, entrar na corrida pelo Senado. Um movimento que, além de competitivo, pode representar um rompimento definitivo com Teresa Surita.

Isso porque, embora Romero Jucá e Teresa se posicionem como nomes de centro-direita, há uma leitura consolidada de que suas trajetórias sempre dialogaram mais com o campo de centro-esquerda.

Enquanto isso, o grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro — hoje com forte influência na Prefeitura de Boa Vista — busca consolidar um nome ao Senado que esteja alinhado ideologicamente.

E, ao que tudo indica, esse nome é Arthur Henrique.

Com isso, o foco estratégico desse grupo passa a ser claro: priorizar a eleição para o Senado e a formação de uma bancada federal forte, deixando o governo estadual como peça secundária dentro do projeto maior de poder.

O fato é que Roraima já entrou em modo eleição — mesmo que, oficialmente, ela ainda esteja distante.

Os movimentos são silenciosos, mas altamente calculados.

E, como em todo bom jogo de xadrez, quem não entende o tabuleiro… acaba sendo apenas peça.

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