sábado, 28 de março de 2026

O Xadrez Político em Roraima: Por que o quadro ainda está longe de uma definição?

Muitos acreditam que, com a renúncia de Denarium, a posse de Edilson Damião e a desistência de Teresa Surita da disputa ao governo, o cenário político de Roraima estaria desenhado. Eu creio que não.

A verdade é que estamos diante de uma calmaria aparente. O tabuleiro deve sofrer abalos sísmicos já nos próximos dias, e três fatores principais explicam essa incerteza:
1. O "Dia D" no TSE
O julgamento da chapa Denarium/Damião, previsto para a próxima terça-feira, é o grande divisor de águas. Se tomarmos como parâmetro julgamentos recentes — como o do ex-governador do Rio de Janeiro, que guarda similaridades com as acusações de abusos cometidos pela dupla local —, a tendência é a cassação.
Neste cenário, quem assumiria o governo interinamente seria o presidente da Assembleia Legislativa, Deputado Soldado Sampaio, que convocaria novas eleições diretas.
2. O Fator Soldado Sampaio e a Eleição Suplementar
Caso a cassação se confirme, Damião ficaria fora do páreo. Isso transformaria Sampaio no nome mais forte da disputa. Como "governador tampão", ele teria a máquina na mão para buscar o mandato até o fim de 2026 e, possivelmente, tentar a reeleição para o período 2027-2030.
A grande dúvida é: quem ocupará o espaço da oposição? Teremos candidatos viáveis à esquerda ou o campo conservador continuará canibalizando seus próprios nomes?
3. A Aposta Arriscada na Capital
Roraima fez uma opção massiva pela direita desde 2018, consolidada pelo Bolsonarismo. Um reflexo disso foi a eleição de Marcelo Zeitune como vice-prefeito de Boa Vista.
Agora, os bastidores fervem com a possibilidade de renúncia do prefeito Arthur Henrique. O plano seria ele concorrer ao Senado ou ao próprio Governo do Estado. Porém, o risco é altíssimo: renunciar significa entregar a chave da capital nas mãos do PL (via Zeitune). Resta saber se Arthur está disposto a esse "tudo ou nada" ou se prefere a segurança da cadeira atual.
Conclusão
Entre janelas partidárias que se fecham e decisões judiciais que se aproximam, a única certeza em Roraima é a instabilidade. Na próxima semana, o que hoje é especulação se tornará realidade — e o trono do Palácio Senador Hélio Campos pode ganhar um novo dono antes do que se imagina

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