A partir da chegada de Ottomar Pinto para governar o Território Federal de Roraima (1979–1983), iniciou‑se um processo acelerado de povoamento, com a chegada de pessoas de várias regiões do país — sobretudo do Nordeste. Com a eleição direta de 1990, ganhou força na política local a expressão “paraquedista”, agora aplicada a candidatos que vinham de fora apenas para disputar mandatos eletivos.
O que eram os “paraquedistas”
Originalmente usado para
descrever militares paraquedistas (PQD’s), o termo passou a identificar, nos
anos 1990, políticos sem vínculos reais com Roraima que se registravam no
estado para concorrer a cargos como deputado federal e senador. A crítica local
baseava‑se na ideia de que representantes deveriam ter laços efetivos com a
comunidade que representavam.
Exemplos e consolidação do
fenômeno
Em 1990 surgiram candidaturas
de figuras como João Lira, Moisés Lipnik e outros; para a Câmara apareceram
nomes como Mário Melo, Teresa Surita e Chico Rodrigues. Com o tempo, muitos
desses “paraquedistas” foram eleitos e passaram a ocupar cargos em diferentes
esferas — municipais, estaduais e federais.
Casos recentes e o retorno do termo
Nos anos recentes, a presença
de políticos naturais de outros estados continuou: senadores e governantes com
origem fora de Roraima exemplificam essa realidade. Em 2024, Marcelo Zeitune,
com breve passagem militar por Roraima, assumiu como vice de Arthur Henrique —
fato que passou despercebido por muitos. Em 2026, um deputado duas vezes eleito
no Rio de Janeiro transferiu seu domicílio eleitoral para Roraima para disputar
o Senado pelo PL, partido de Arthur Henrique e Zeitune.
Implicações políticas
Movimentos como a possível
renúncia de Arthur Henrique para disputar governo ou Senado, deixando a
prefeitura e um orçamento previsto de cerca de R$ 2,5 bilhões sob o comando de
seu vice, mostram as estratégias eleitorais em jogo e reacendem o debate sobre
legitimidade, vínculos locais e interesses partidários.
Conclusão
O fenômeno dos “paraquedistas”
em Roraima revela um conflito persistente: pesa mais a origem e o vínculo com o
estado, ou a capacidade eleitoral e as alianças políticas? A discussão
permanece atual e deve influenciar o eleitorado nas próximas disputas.
P.S. Os políticos roraimenses cometeram um erro capital na hora de passar o bastão. Passaram o astão para um daqueles que eles chamavam de "paraquedista" e hoje eles sequer tem o comando de um único partido político.
Atualmente somente três roraimenses tem o comando de siglas partidárias: Rudson Leite - PV, Lenir Rodrigues - CIDADANIA, Yoni Pedroso - SD e Daniel Trindade - PRD.

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